Página Inicial 9 Notícias 9 SMCC realiza o VIII Fórum sobre a situação Covid-19 com discussão sobre planejamento da reabertura com racionalidade e menor tempo de espera por testes

SMCC realiza o VIII Fórum sobre a situação Covid-19 com discussão sobre planejamento da reabertura com racionalidade e menor tempo de espera por testes

A 8ª edição do Fórum “Situação Atual Covid-19 em Campinas” promovido pela Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) nesta quinta-feira (16/07) assim como já ocorreu com outras edições garantiu a partir da iniciativa do grupo de gestores e médicos mais uma importante notícia para o enfrentamento a pandemia na cidade de Campinas e região. 

Nesta edição, além da participação do Secretário de Saúde de Campinas, Dr. Carmino de Sousa, houve a participação do Secretário de Transportes, Sr. Carlos José Barreiro, que informou sobre as medidas implantadas no sistema de transporte público, reconhecido como um dos ambientes mais arriscados para contaminação pelo coronavírus.

Uma rápida ação do Departamento de Patologia Clínica da SMCC garantiu uma redução no tempo de espera por resultados de testes Rt-PCR Covid-19. O debate também trouxe para o cenário a necessidade de pensar o enfrentamento a partir da quebra da cadeia de transmissão para delimitar, isolar e conter o vírus partindo assim para uma flexibilização racional do isolamento social.

O conteúdo completo do 8º Fórum SMCC pode ser assistido pelos Canais da SMCC:

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A presidente da SMCC, Dra. Fátima Bastos comemorou o fato de o Fórum ter, a cada semana, uma nova ação concreta para ajudar no enfrentamento a pandemia na cidade.

“Acho que com a evolução do Fórum hoje (16/07), com a presença de dois Secretários Municipais, nós estamos conseguindo mudar algumas coisas. Nossos Departamentos têm boas pessoas que nos representam e fazem engrandecer ainda mais a Sociedade. Nosso papel é não deixar as coisas distantes para evoluir bem. E, se não conseguimos modificar alguma coisa pelo menos não ficamos parados”, disse a médica.

Situação nos Hospitais

No tradicional “giro” da situação nos principais hospitais da cidade, os gestores e representantes mostraram um incremento dos números de casos em hospitais privados enquanto houve uma aparente estabilidade na rede pública durante a última semana.

Dr. Carmino disse que a situação em Campinas depende da situação da região, pois quase 50% dos leitos Covid-19 são de pacientes de cidades vizinhas atendidos aqui. “Não tem como expandir UTI. Neste momento atingiu o ponto, está calibrado com demanda e necessidade. Está empatado. Não vejo no radar uma grande expansão de casos uma vez que esta semana foi melhor. Acomodamos todos os doentes. Agora, a regulação de Campinas é diferente do Estado e não podemos ser mais permissivos do que o Estado preconiza, mas se eu puder, deixo no vermelho para não ter que voltar atrás com a flexibilização”, argumentou.

Ação Rápida da SMCC

O Departamento Científico de Patologia Clínica da SMCC conseguiu, através de uma mobilização junto aos principais laboratórios de Campinas, uma proposta para reduzir o tempo de espera para os resultados e adicionar mais uma opção de teste para a cidade.

O Coordenador do Departamento, Dr. Alex Galoro, contatou os sete laboratórios privados com maior demanda na cidade. O prazo normal para resultado do teste tipo Rt-PCR até este momento estava entre 02 a 05 dias úteis, o que demorava a identificação dos doentes e decisão pelo isolamento deste e de contactuantes. Agora, após a mobilização, os laboratórios estão anunciando de 01 a 04 dias úteis para a liberação do resultado nos casos mais urgentes.

Para o médico, se tratando da rotina de Rt-PCR são prazos de entrega viáveis e melhores, apesar de não ser o ideal.

A garantia é de que vão ser mantidas as testagens diárias e, a partir de agora, os casos de urgência poderão ser priorizados a partir do comunicado direto do próprio médico solicitante com o laboratório. Até então o protocolo instituía encaminhamento exclusivo pela rede.

Foi anunciada também a disponibilidade para daqui uma ou duas semanas de um kit de teste rápido para detecção de antígenos do coronavírus. Assim como já existe um teste rápido para antígeno da dengue, agora haverá para Covid-19. O exame depende de uma carga viral grande para dar o resultado, mas, para Dr. Alex, é mais uma opção que pode servir para um diagnóstico mais rápido para detectar sintomáticos e contactuantes, isolar e conter contaminação.

O Departamento de Patologia Clínica da SMCC em parceria com a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica – ABRAMED e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica também intercedeu junto ao Ministério da Saúde e Anvisa para pressionar pela agilidade da entrega dos materiais e insumos para os exames.

O transporte público como grande contaminante

O Fórum da SMCC tem reforçado a preocupação com um dos principais meios de contágio, o transporte público. Todos os participantes foram unânimes em dizer como é preciso fiscalizar a rotina dos passageiros e profissionais.

O Secretário de Transportes de Campinas, Sr. Carlos José Barreiro, relatou as medidas tomadas até este momento no enfrentamento da pandemia e que considera preocupante a relação com os custos.  

A tarifa arrecada durante a pandemia não tem sido equivalente a manutenção dos custos para operar o sistema. Foi feito um acordo por tempo determinado de 90 dias que está se encerrando em que a Prefeitura cobre o custo operacional para manter o transporte com combustível e pagamento dos motoristas dos ônibus.

Barreiro lembra que o setor é auditado pelo Tribunal de Contas do Estado e por isso tem que haver cuidado nos recursos usados. O setor sofre com a baixa na demanda e impacta no orçamento, uma vez que o transporte público depende de fluxo de tarifa para sobreviver.

“Campinas tem característica geográfica diferente e é conflitante com a questão de custo. Sabemos da orientação de menos passageiros. Estamos com 40% da frota e recebendo por veículo metade ou até menos de passageiros”, indicou o secretário que informou registrar fora período de pandemia 550 mil passageiros por dia em Campinas. 

Desde o início da pandemia foram cancelados os passes para idosos, universitários e estudantes, assim como alterado o serviço PAI (Programa de Acessibilidade Inclusiva).

Foram instalados totens nos pontos de ônibus com orientação para uso de álcool gel, higienização e máscaras. Agentes fazem a medição da temperatura corporal por amostragem sendo a pessoa febril impedida de entrar nos veículos.

Além disso, passageiros de outras cidades têm sido abordados para questionar motivo de vinda a cidade, coibindo a circulação.

Para o epidemiologista Dr. André Ribas Freitas, representante da Faculdade São Leopoldo Mandic, são duas frentes: a educacional e a administrativa. “É importante o movimento de cobrar de outros níveis o subsídio para o transporte. Senão fica tudo sobre a prefeitura das cidades. Falta uma ação coordenada novamente para quebrar as cadeias de transmissão, identificar, buscar contactuantes, quem pode ser positivo transmissor e conter o avanço da doença”.

O Coordenador do Departamento de Comunicação da SMCC, Dr. Marcelo Amade Camargo, moderador do evento, já havia diagnosticado e apontado que a política de recursos precisa ser mudada. “É preciso haver o uso racional do dinheiro. Senão gastar com o transporte então o município gastará com leitos de UTI. É fato! Daí a flexibilidade pode ser pontual para conter contágio. Órgãos como a DEVISA (Departamento de Vigilância Sanitária) precisam de mais gente para fiscalizar e atuar. Os quadros precisam ser reforçados. A Vigilância de Campinas tem fama boa e reconhecida pelo trabalho, mas o número de pessoas é pequeno. Ainda tem o trabalho de outras doenças e agravos que não esperam”.

Para o médico, os problemas de leitos e na Saúde como um todo que estão aparentes neste momento são antigos, ocasionados por herança e descaso dos  gestores públicos do presente e do passado. E ressaltou que há muitos e muitos anos os médicos e profissionais de saúde apontam para esses problemas.

Reabertura com Racionalidade

O Coordenador do Departamento de Infectologia da SMCC, Dr. Rodrigo Angerami, avalia que a classificação vermelho e o isolamento foram antecipados para cidades da região que não precisariam estar tanto tempo com as restrições. “A região de Campinas foi para o vermelho por conta da taxa de ocupação senão, pelos outros parâmetros seria laranja. Se, eventualmente, a rede passa a apresentar índices laranja, dependendo do nível de platô, ainda não é confortável, mas não impõe colapso. Até ficamos otimistas semana passada com a percepção de queda mas foi efêmera porque a taxa de ocupação voltou a aumentar”.

Para o médico é fundamental fazer o controle permanente do número de leitos disponíveis e citou casos de países como os EUA, onde já estão fora do período de inverno e começaram a ter explosão de casos em algumas regiões, fato que revela que o vírus não respeita sazonalidade.

Evoluindo no debate, o grupo de médicos começou a trazer para o cenário de enfrentamento da pandemia a necessidade, do ponto de vista epidemiológico, de quebrar as cadeia de contágio. Esta medida visa identificar, testar, isolar e monitorar os casos confirmados com rapidez garantindo uma flexibilização com racionalidade e segurança para retomar a rotina nas cidades desgastadas emocional, financeira e administrativamente com a pandemia.

Dr. André Ribas Freitas reforçou que acredita que o problema esteja na forma como o Brasil encara o cenário epidemiológico. “Não há uma coordenação nacional e os municípios seguem os Estados. Cadê o teste molecular rápido para o Brasil expandir testagem e aumentar isolamento para controlar e diminuir a transmissão? Não estamos vendo”, reforçou.

Dr. André disse reconhecer a expansão de testes Rt-PCR para sintomáticos, mas acha que o prazo ainda está muito longo. “Uma semana é muito tempo para uma doença que a gente tem que tomar decisão rápida para isolamento. A Europa fez isolamento de 60 dias e depois reabriu. Tem que se rastrear os contágios e quebrar as cadeias de transmissão. Não está sendo clara essa orientação. Os que não estão tendo contato voltaram a ter e se contaminar novamente”.

Na esteira da boa notícia trazida pelo Departamento de Patologia Clínica da SMCC, com a redução dos prazos de entrega para testagem o grupo evoluiu no conceito que, diferentemente do que preconizam alguns dos protocolos oficiais, a testagem deveria ser considerada a partir do primeiro dia de sintomas (e não a partir do 3º dia). “Então começaremos a melhorar no aspecto de análise, de (ofertar) o teste certo, para a pessoa certa e não olhar o resultado pelo retrovisor”, disse Dr. Rodrigo.

O moderador do Fórum, Dr. Marcelo Amade Camargo estimulou o grupo a avançar nesta ação, independente de conflitar com protocolos oficiais.

“Se a coleta precoce é uma estratégia melhor, vamos incentivar. Então vamos promover os testes precocemente para identificar, isolar o doente, seus contactuantes e quebrar as cadeia de transmissão. A SMCC fará esse movimento de conscientização dos colegas envolvidos para a coleta precoce. Porque esperar vir de lá de cima a mudança de protocolo? Vamos nós com mais vigor entre os colegas e não ter medo de cobrar. Foi para isso que organizamos esses Fóruns; para cuidar do que ocorre no nosso quintal da melhor forma possível, como médicos e especialistas”.

O vice-presidente da SMCC e presidente da Associação dos Day Hospitals de Campinas, Dr. José Franchi Amade, concluiu dizendo que a entidade irá formar protocolos para o transporte público a despeito de como já foi feito para entrada, saída de casa e convivência com doentes.

“A SMCC pode contribuir, não impor. Os Fóruns que estamos fazendo é para somar. Estamos todos em uma torcida par voltarmos à classificação laranja e retomar as cirurgias eletivas o quanto antes. Existe uma preocupação com os pacientes doentes crônicos e os Day Hospitals são espaços mais seguros. Acho que estão preparados para uma flexibilização com segurança e racionalidade. Os hospitais estão preparados para este retorno com os protocolos prontos; apenas aguardando melhorar a situação”, finalizou.

No encerramento, a Presidente da SMCC considerou que o posicionamento de manter o isolamento para uma abertura segura é o ideal. “Abrir e fechar é pior! Prefiro que seja de uma forma direta. A nossa cidade está retardando a abertura mas com amadurecimento. Fiquei feliz com fala do Secretário de Transporte. Podemos ajudar os usuários que são nossos pacientes e orientar também. Com a união de todos vamos conseguindo várias mudanças”, acrescentou.  

Lista dos participantes do VIII Fórum SMCC:

·Convidado Especial: Secretário de Transportes de Campinas – Carlos José Barreiro 

·Secretaria de Saúde de Campinas – Dr. Carmino de Souza (Secretário)

·Departamento de Infectologia SMCC – Dr. Rodrigo Angerami (Coordenador)

·Departamento de Patologia Clinica SMCC – Dr. César Alex Galoro (Coordenador)

·Faculdade São Leopoldo Mandic – Dr. André Ribas de Freitas (Epidemiologista)

·Rede Mario Gatti – Dr. Carlos Arca (Membro da Sala de Situação)

·HC UNICAMP / Centro Médico Campinas – Dr. Luis Gustavo Cardoso (Infectologista CCIH)

·Hospital Celso Pierro PUCC – Dr. Flávio Simeão (Chefe do PS)

·Hospital Vera Cruz / Casa Saúde – Dr. Bruno Araújo (Diretor Técnico)

·Associação dos Day Hospital Campinas – Dr. José Roberto Franchi Amade (Presidente)

·Hospital Madre Theodora – Dr. Átila Venditte (Diretor)

·Hospital Irmãos Penteado / Santa Casa de Campinas – Dr. Murilo Almeida (Presidente) 

·Hospital Maternidade de Campinas – Dr. Carlos Ferraz (Presidente)

·Hospital Galileo – Dr. Gustavo Faidiga (Diretor Técnico)


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