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O junho vermelho: “todos, um só sangue”

Prof. Dr. Carmino Antonio De Souza

Por Prof. Dr. Carmino Antonio De Souza*

No dia primeiro de junho, iniciamos o mês dedicado ao doador de sangue. Como sabemos, o sangue e seus componentes jamais serão um produto farmacêutico ou de “prateleira”. Dependemos deste ato altruísta e de amor ao próximo sem qualquer outro interesse que não seja “salvar e manter vidas”. O doador de sangue, e aí colocaria também todos os doadores de órgãos e tecidos, são seres humanos muito especiais, pois, de maneira anônima e desinteressada, contribuem com a cura e com o cuidado de milhares de pacientes todos os anos em nosso país e em todo o mundo.

Vivemos no passado uma situação muito séria de doações remuneradas e/ou clandestinas para apoiar serviços ou indústrias de produção de hemoderivados, tanto no Brasil como no exterior. Felizmente, isto não existe e não poderá mais existir em nosso meio. Esta, certamente, é mais uma conquista de nossa sociedade e do SUS.

A doação de sangue dá sustentação a inúmeros programas de estado na saúde como, por exemplo, os programas de “sangue e hemoderivados” e de “transplantes de órgãos e tecidos”. Na prática médica, os mais frequentes usuários de sangue e seus componentes são os pacientes com doenças oncológicas submetidos a terapêuticas específicas, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia, bem como pacientes politraumatizados.

É claro que outros pacientes também necessitam deste suporte. Pacientes portadores de hemoglobinopatias hereditárias, como a talassemia major, ou pacientes com falências medulares graves necessitam continuadamente de componentes do sangue para a manutenção de suas vidas com qualidade e longevidade. É muito interessante saber, que existem doadores que apadrinham pacientes que possuem grupos sanguíneos raros ou que apresentem sensibilização imune que impede a transfusão de componentes “não fenotipados” pelo alto risco de reações transfusionais graves.

A Hemoterapia evoluiu de maneira impressionante e a medicina personalizada já é uma realidade para muitos pacientes que dela necessitam. Entretanto, o desafio de coletar sangue em todo território nacional, em quantidade e qualidade, é enorme.

Dados da ANVISA referentes ao ano de 2019 – e publicados em janeiro de 2021 – mostram que cerca de 2% (4,5 milhões) de nossa população adulta e sadia compareceu aos centros de coleta de sangue, pelo menos, uma vez naquele ano. No passado, foi muito pior. Tivemos momentos em que este percentual foi de 0,5%, absolutamente insuficiente para as necessidades do sistema de saúde. Entretanto, 2% ainda é muito pouco.

Devemos considerar ainda que cerca de 20% não puderam coletar ou não tiveram o sangue utilizado. A maior causa de inaptidão em nosso meio foi a presença de anemia. A sorologia positiva foi de apenas 0,5%, sendo que as hepatites B e C continuam sendo as mais frequentes e silenciosas doenças infectocontagiosas presentes em nossos doadores comunitários.

Nosso alvo, e já alcançados em muitos países europeus, como a França, ou americanos, como Cuba, e em alguns de nossos municípios, onde há uma ótima organização social de suporte à coleta de sangue, é chegarmos a 5-6% de nossa população.

Para alcançarmos estes objetivos, os esforços de toda sociedade, dos Hemocentros públicos e Serviços privados de Hemoterapia devem ser crescentes, contínuos, solidários e compartilhados. O ideal é que tenhamos mais doadores espontâneos e menos “de reposição” (doadores com parentes ou amigos necessitando sangue no momento da doação). Este é um processo educacional e motivacional contínuo e que movimenta profissionais de comunicação e voluntariado exclusivamente atuando no suprimento de sangue aos Hemocentros e Serviços de hemoterapia.

Dados do sistema de vigilância mostram que a doação espontânea no Brasil já está acima das doações de reposição. Isto é muito bom. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que as doações espontâneas são as mais seguras e sustentáveis.

A fidelização dos doadores com ampliação da participação da sociedade em vários níveis são requisitos fundamentais a melhoria qualitativa e quantitativa do suprimento de sangue aos nossos pacientes. Vamos aproveitar este momento. A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), juntamente com diversas entidades nacionais, fará inúmeras atividades de motivação, participação e fomento à coleta de sangue em todo o território nacional neste mês de junho, ações essas que seguirão dali em diante.

Somos um só país e sociedade e, portanto, somos “todos um só sangue”.       

Prof. Carmino Antonio De Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020

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