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SMCC realiza evento inédito de prevenção ao suicídio com Live pelo Facebook


O Departamento de Psiquiatria e o Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) realizaram nesta terça-feira (17/09) pela primeira vez uma Live pelo Facebook com médicos e convidados em um roda de conversa ao vivo no terraço da entidade.

O evento, chamado “Roda da Vida” foi aberto ao público em geral, blogueiros, profissionais da Saúde, médicos associados e acadêmicos e foi um evento dinâmico e com depoimentos de muita sensibilidade.

“Mais uma vez nossa vontade de propagar e atingir a todos que pudermos com a mensagem de que devemos fazer o possível para evitar uma morte por suicídio foi bem sucedida. Agradeço imensamente a todos da linha de frente na Roda da Vida que foram incríveis!”, resumiu a Dra Carmen Sylvia Ribeiro uma das idealizadoras da programação do Setembro Amarelo da SMCC.

O evento com o tema: “Mídias Sociais e a abordagem preventiva” fez parte da programação oficial do que é considerada a maior campanha da SMCC sobre o assunto: O Setembro Amarelo – Mês de Prevenção ao Suicídio com eventos programados até o dia 19 de setembro em vários locais.

Em formato inédito, a “Roda da Vida” contou com a participação do Coordenador do Comitê da SMCC, Dr. Fábio Martins entrevistando seis convidados.

Entre eles estavam o Psiquiatra e psicoterapeuta, Dr Jorge Simião, chamado para falar do tema Suicídio e redes Sociais; da Psicóloga especializanda em Suicidologia, Jéssica da Silva Silveira, que comentou sobre os Processos autodestrutivos e luto; Dra Renata Azevedo, Psiquiatra especializada em dependência química e Professora da UNICAMP; da psicóloga Karen Scavacini, uma das idealizadoras da Campanha de Prevenção ao Suicídio do Facebook; além de Terezinha e Joseval Máximo, pais enlutados blogueiros e influencers do blog “Nomoblidis”.

Os dois pais falaram da experiência da perda da filha, há cerca de dois anos e meio, e como ter um grupo de ajuda para conversar ajudou a enfrentar a perda.

“Eu me deparei com muitas coisas que, ao invés de me ajudar, me atrapalharam mais. Eu pensei que ia ficar louca. Eu não tinha com quem conversar porque quando eu começava a falar as pessoas saiam de perto e fui me sentindo sozinha. Foi na internet que encontrei o grupo. Ali comecei a entender que não estava sozinha e que todos que perderam pessoas sentiam o mesmo. A partir daí, eu comecei a descobrir o que fazia bem e não, porque não tem regra. Funciona diferente para cada um”, contou Therezinha que usa a escrita como meio terapêutico e hoje tem rico material de apoio e informação no blog “Nomoblidis”.

Sobre os processos autodestrutivos a Psicóloga Jéssica da Silva Silveira, reforçou a importância de olhar para a família.

“Olha como os grupos são importantes para acolher estas famílias porque, se em média 30 pessoas perdem a vida no Brasil, onde estão estas pessoas? Cerca de seis pessoas vão ser impactadas por estas perdas por caso. Então, cadê estas pessoas? Como vamos chegar a estas pessoas? Vamos falar de posvenção”, falou Jéssica, que com um grupo de profissionais vão inaugurar um grupo de enlutados por suicídio pela SMCC nesta quinta-feira (19/09), visando colaborar com estes parentes.

Na intermediação das falas, Dr. Fábio aproveitou a colocação a respeito da internet ter proporcionado o contato com grupos de apoio no caso do casal Máximo, para pedir a contribuição do Dr. Jorge Simão sobre as mídias sociais e como fazer uma abordagem preventiva.

“Pensar que a internet proporciona convergências e intensificação de doenças. Os cuidados que se toma fora não são diferentes de dentro da rede. Basta que a pessoa comece entendendo que você tem uma espécie de um funil de intensidade e consegue ter mais acesso. Você consegue ser mais fluente do que seria pessoalmente. Encontra pessoas que não encontraria. É um facilitador! Não deveria ser só isso, mas se pensar nisso começa a entender que qualquer coisa que teria uma repercussão pequena no contato real, na rede é muito maior. Não falar sobre métodos, evitar falar de processos, dar exemplos e, sim, criar empatia”, sinalizou o médico.

A presença da psicóloga Karen Scavacini, uma das idealizadoras da Campanha de Prevenção ao Suicídio do Facebook, reforçou esta visão da capacidade da internet de chegar as pessoas, principalmente jovens.

A campanha #EuEstou também apoiada pelo Twitter foi lançada em parceria com o CVV. O projeto tem como idealizadores o youtuber (ex-MTV) PC Siqueira e o cineasta M. M. Izidoro que convidaram Karen para fazer a consultoria do conteúdo. Foram seis meses de produção para a criação de 30 vídeos educativos – também presentes no Instagram – para pessoas que estejam com depressão ou comportamentos suicidas ou para pessoas que possuem parentes ou amigos nestas situações.

“Eu não tinha ideia da repercussão. Nem conhecia o PC Siqueira quando fomos gravar. Depois que vi as milhões de visualizações fiquei surpresa. E como é bom poder falar com responsabilidade e ética sobre o tema com jovens também ao meu lado”, comemorou Karen.

Para Dra. Renata da UNICAMP tem muitas discussões sobre tempo de tela em diferentes idades, mas mais do que controlar é preciso entender o conteúdo. “Com um adulto responsável e afetivo intermediando o acesso ao conteúdo pode ter um benefícios do ponto de vista de aprendizado, cognitivo, flexibilidade está bastante bem apontado. Porém, sozinhos não. Há uma necessidade dos pais se aproximarem”, comentou.

“Imagino como ficam os pais em casa. Você não sabe se a angústia é porque o filho terminou um relacionamento ou o que aquilo está significando para ele”, acrescentou Dr. Fábio.

A Dra. Renata Azevedo, Psiquiatra especializada em dependência química e professora da UNICAMP, conclui acrescentando o fator consumo de substâncias entre os jovens nesse processo.

“A gente precisa entender que a pessoa pode estar em um momento mais sensível e o álcool ou as drogas podem potencializar esse poço de angústia. Por isso, precisamos problematizar sim o uso destas substâncias que podem ser determinantes. A ideia de que todo mundo usa, reduz a gravidade do uso. Não é igual para todo mundo, é verdade, mas não tem com saber como será. É um risco que não podemos correr nesta fase tão intensa e encantadora que é do jovem”, disse.

A Psicóloga Jéssica finalizou ao ser questionada sobre como agir ao detectar um caso até no meio profissional das psicólogas. Ela disse que ao detectar um possível caso, os profissionais devem tentar entender onde está a rede de acolhimento para aquela pessoa. “Pensar o que faz sentido para aquela pessoa. Quem são as pessoas ao lado? É a escola, a igreja, o pai, o padre ou o pastor. É primordial buscar estes fatores de proteção.

A programação do Setembro Amarelo segue hoje e amanhã. Confira a programação AQUI!

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