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SMCC proporciona debate inédito sobre o retorno às escolas com autoridades e especialistas em Saúde e Educação em Campinas

Desde o início da pandemia de Covid-19 em nossa região, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) está promovendo Fóruns reunindo as principais entidades e lideranças para discussão das melhores estratégias de enfrentamento da doença em Campinas e região. E por muitas vezes, as discussões desses fóruns contribuíram para mudanças nos rumos da condução do problema em nossa cidade.

Com a 14ª edição do Fórum da SMCC “Situação Atual Covid-19 em Campinas” com o tema: “Retorno às Escolas: Quem, Quando e Como?”, realizado nesta quinta-feira (24/09), não foi diferente. Numa iniciativa inédita até o momento, a SMCC viabilizou um encontro aberto entre Saúde e Educação, proporcionando a centenas de médicos, educadores, pais e responsáveis o acesso à informação de qualidade e com credibilidade para nortear a reflexão sobre o assunto que é bastante complexo.

No “palco”, convidados com enorme experiência e poder de decisão para realmente dirigir as condutas sobre o assunto. O time foi composto pelas autoridades máximas da Educação e Saúde pública de Campinas, representante das escolas privadas, Departamento de Vigilância em Saúde, e especialistas renomados das áreas de epidemiologia, infectologia e pediatria.

O Fórum, transmitido ao vivo pelo Zoom e Canal da SMCC no Youtube, teve centenas de telespectadores e expressiva participação através de perguntas e comentários.


Veja o 14º Fórum da SMCC “Retorno às Escolas: Quem, Quando e Como?”:

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Logo no início do evento, a presidente da SMCC, Dra. Fátima Bastos, apresentou os convidados e relembrou o papel histórico da entidade no combate às pandemias que assolaram a cidade no início do século passado, justamente quando a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas foi fundada, em 1925, pelos médicos que foram responsáveis por salvar a população da cidade, razão pela qual Campinas e a SMCC carregam o símbolo da Fênix.

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A moderação do Fórum foi realizada pelo Dr. Marcelo Amade Camargo, Diretor de Comunicação e Marketing da SMCC. Dr. Marcelo deixou claro em sua fala o papel da SMCC em proporcionar os meios para que esse debate ocorresse, sem nenhum viés político, econômico ou de interesses secundários. O foco é a saúde da população. Dr. Marcelo ressaltou que, assim como ocorreu com a Saúde, nos hospitais e unidades de saúde, a pandemia agora expõe mazelas da área de educação em cada cidade, que são resultado de décadas de decisões dos gestores e que, infelizmente, não serão resolvidas de uma vez.  

Apresentações

O Fórum da SMCC teve início com duas apresentações para proporcionar um cenário do momento atual para a discussão.

A primeira apresentação foi feita pela Dra. Andrea Von Zuben, Diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (DEVISA) que apresentou a situação da Covid-19 na faixa etária de crianças e adolescentes e a estrutura disponível na cidade para o atendimento de eventual demanda nesta população.

Os dados epidemiológicos da DEVISA, incluindo os dos Inquéritos Soroepidemiológicos de Campinas, mostram que em Campinas, apenas 3,7% dos casos confirmados de SRAG por Covid-19 ocorreram na faixa entre 0 a 10 anos de idade.

Foram dois óbitos de crianças em Campinas. Uma delas com cinco anos e outra com 12 anos, ambas portadoras de problemas de saúde importantes. “As crianças não são a faixa etária de maior prevalência”, comentou a Dra. Andrea.

Veja a apresentação completa dos dados! CLIQUE AQUI!

Sobre o possível retorno às escolas, Dra. Andrea disse que serão necessárias medidas assistenciais precoces e vigilância ativa, mas ainda assim, o que não impede de haver surtos de casos, mas essas ações podem garantir um controle epidemiológico.

Um documento redigido pela Secretaria de Saúde de Campinas, através do DEVISA chamado de “Protocolo Sanitário Municipal” está disponível no site da Prefeitura para acompanhamento das escolas e educadores.

A segunda apresentação foi a do convidado especial, Dr. Wanderson Oliveira, epidemiologista, ex-secretário de Vigilância em Saúde/SVS do Ministério da Saúde, sobre aspectos científicos da doença na faixa etária infantil, a experiência do retorno às escolas em diferentes países e detalhes para construção de protocolos para um retorno seguro.

Para Dr. Wanderson, existe uma janela de oportunidade entre os meses de outubro a fevereiro que o Brasil não deve ignorar para estabelecer este retorno de atividades escolares com segurança, por conta do período de verão. Mas o especialista afirmou que isso não quer dizer que se pode deixar de fazer isolamento. Pelo contrário, seguir uma estratégia de isolar casos dentro da família, convívio e trabalho.

“Não (necessariamente) são mais testes, mas estratégia de vigilância e sentinela. Não vai ter um ambiente perfeito, mas saúde e educação devem trabalhar juntas”, comentou ele.

Para o epidemiologista muitas questões ainda estão em aberto quanto a Covid-19, como a origem do vírus? Mutações? Por que as pessoas respondem de maneira diferente à infecção? Se é possível desenvolver imunidade? Mas, principalmente como será e quando será o pós-pandemia? Se o vírus se tornará endêmico? Se teremos novas ondas? E, se o vírus irá desaparecer?

“O que observamos foram as praias cheias no sete de setembro e as escolas vazias. Não quer dizer que uma coisa justifica a outra, mas as duas situações necessitam de uma ampla reflexão da sociedade”, argumentou Dr. Wanderson que deixou uma afirmação bastante provocadora: “As pessoas são parte desta solução!”.

Você pode conferir o conteúdo da apresentação do Dr. Wanderson na íntegra. CLIQUE AQUI!

Posicionamento do Poder Público de Campinas para volta às escolas

Representando o poder público, participaram do Fórum da SMCC o Secretário de Saúde de Campinas, Dr. Carmino de Souza e a Secretária de Educação, a Prof.ª Solange Villon Kohn Pelicer.

A secretária de Educação de Campinas, em sua fala, apresentou diversas medidas já implementadas para garantir o ensino por via remota e reiterou que ao saber do impacto da perda do desenvolvimento social e cognitivo das crianças teme pela demora na retomada das aulas, porém, foi categórica ao afirmar que a segurança alimentar pode ser um empecilho enorme no contexto que não está sendo avaliado.

“Precisamos garantir a segurança alimentar dentro das escolas. Como eu vou servir comida? Eles vão trazer de casa? Não é possível! Além da movimentação dentro da escola de caminhões e pessoas para a entrega dos produtos”, alertou. Segundo a secretária não há como garantir este nível de controle para impedir o contágio.

A Prefeitura de Campinas já teria feito a compra dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para retorno às escolas e aquisição e distribuição de cestas básicas e kits de hortifrutis.

Uma pesquisa da Secretaria da Educação de Campinas apontou que cerca de 76% dos pais participantes disseram que não vão enviar suas crianças para a escola, mesmo com o retorno oficial.

A secretária afirmou que, mesmo assim, os professores e profissionais estão sendo orientados para uso dos recursos digitais tendo sido disponibilizados mil tablets, 21 mil chips para ensino fundamental, kits literários de educação infantil e EJA. Além de uma plataforma digital que está tendo um acesso diário de 75% dos alunos da rede, onde os professores que interagem em tempo real. O conteúdo educacional também está sendo entregue através de um programa na TV Câmara, em que cerca de 400 mil famílias têm acesso. Comunidades afastadas estariam recebendo as atividades escolares impressas.


Qual a opinião dos Especialistas?

Como em todas as edições o infectologista e coordenador do Departamento de Infectologia da SMCC, Dr. Rodrigo Angerami, fez suas observações e contribuições quanto as medidas necessárias nas três esferas de atuação (local, regional e nacional).

Dr. Rodrigo disse que o retorno da educação é serviço essencial sim, e que se não voltarmos temos muito a perder por uma questão de saúde pública, de cidadania e desenvolvimento social.

“Vamos analisar as experiências positivas e negativas. Estamos em uma tendência de queda de casos mantida. Acho que talvez seja de fato um momento de voltar de maneira segura”, disse o infectologista.

Dr. Rodrigo ponderou dizendo que eventos como o da SMCC ajudam a levantar as perguntas fundamentais para o debate, porque cada cidade ou região terá que discutir a forma de voltar, apesar de ser importante que houvesse um eixo central para as decisões e, novamente, lamentou o fato do Brasil não ter um plano nacional de enfrentamento a Covid-19.

“É uma pandemia (!) e não tem como decidir a toque de caixa. Vamos ter que ter um plano mínimo de segurança dos usuários e profissionais da educação. Acho que pecamos por não ter um plano nacional. Vamos ter que discutir nosso plano com nossas tecnologias e condições. Nós temos surtos por doenças respiratórias todos os anos. Essa integração (saúde e educação) mais do que nunca terá que se tornar robusta”.

O Dr. André Ribas de Freitas, epidemiologista da Faculdade São Leopoldo Mandic reforçou a importância de rastrear os casos para quebrar a cadeira de transmissão e como o Brasil perde em não adotar a medida de isolamentos dos contactuantes antes do início dos sintomas, uma vez que a realidade local é bastante complexa em relação a outros lugares pelo mundo.

Dr. André comentou que definitivamente, neste momento, todo o controle da Covid-19 não é farmacológico. “Não tem como trabalhar com hipótese da vacina. Para tomar a decisão hoje, não dá pra contar com ela. Temos que entender que temos que ter medidas coletivas, individuais e focalizadas na cadeia de transmissão. Cuidado com estabelecimentos coletivos, com material que vem da rua, assintomáticos e rastreamento dos casos. Sabemos que 50% da transmissão ocorre antes dos sintomas. Estou preocupado em quebrar a cadeia, por isso, tenho que entender como consigo. Parece que as crianças têm forma clínica mais branda, então preocupa a transmissão”, reforçou o médico.

“Tem que colocar em uma balança. O custo que a sociedade vai pagar é muito alto pelo prejuízo dos alunos nas escolas. É muito difícil fazer distanciamento social entre os menores, por isso, acho que seria interessante começarmos com crianças maiores, que poderemos ter mais controle e entender nossas capacidades”.

Dr. José Martins Filho, reconhecido pediatra e professor emérito da UNICAMP, já tendo sido presidente da Academia Brasileira de Pediatria, elogiou as considerações dos demais participantes do Fórum e foi muito elogiado pelos seus depoimentos a respeito da infraestrutura das escolas, a relação dos pais com a pandemia e como a orientação médica é fundamental neste momento.

Dr. José Martins Filho parabenizou a secretaria de saúde por investir nos EPIs para retorno às escolas mesmo sem uma decisão oficial ainda. Para ele as escolas particulares conseguirão seguir os protocolos, mas mesmo com estas medidas, questionou se as escolas públicas conseguirão. “Como farão e como vão recuperar o tempo perdido?”. Para Dr. Martins a situação do Brasil é muito complexa.

“Não tem cabimento colocar crianças muito pequenas na escola. Os pais não querem mandar para escola e temos que deixá-los decidirem. Os que não voltarem terão acesso digital? Como coordenar (as aulas) online e presencial? A questão da transmissibilidade é curiosa. Como vão dar aula? Como vão comer? Vão levar na escola? Os professores ficarão preocupados no intervalo pensando como estão se alimentando e interagindo as crianças durante a merenda?”, desenhou o possível cenário de estresse que pode ser o retorno às escolas.

Mesmo assim Dr. Martins também concordou que a volta aos estabelecimentos de ensino precisa ocorrer, ser gradual e progressiva. Defendeu primeiro o retorno dos adolescentes e ensino médio.

“Crianças entre 5 e 9 anos voltarem é uma boa ideia também. Mas como vamos fazer se as crianças ficarem contaminadas? Lembrando que elas foram as que ficaram mais isoladas. Será que elas não vão se contaminar mais agora? (…) Qual é realmente o medo dos pais? Os professores que são grupo de risco podem ser substituídos? Tem condições de fazer esta substituição? Do Estado pagar por isso? Não podemos deixar de avaliar todos os riscos. O problema não é a doença infantil grave, mas a transmissibilidade. Testes em todos não é possível, mas quando voltar precisaremos fazer nos trabalhadores e professores”, finalizou.

Opinião das Escolas Privadas

A convite da SMCC, um grupo formado pela imensa maioria de diretores e donos de escolas privadas de Campinas nomeou como representante o Diretor Pedagógico do Colégio Notre Dame, Prof. Lourenço Jungklauss.

Jungkauss disse que realmente a realidade da escola particular e pública são muito diferentes e que está preocupado com as consequências do longo distanciamento presencial das aulas. Relatou que no particular as aulas estão ocorrendo online com a participação das famílias. O sistema de avaliação foi totalmente recriado, porém existe demanda crescente para que o retorno aconteça.

Segundo ele, a intenção do retorno (à escola) pelas famílias era de um terço favorável nos primeiros meses, mas que este desejo está se alterando rapidamente, se aproximando de 50% dos pais neste momento.

“Sim, as famílias deveriam ter liberdade para decidir por voltar ou não. Nós entendemos que este é o momento ideal para este retorno, com escolha das faixas etárias e etapas”, disse.

Jungkauss finalizou dizendo que: “O papel da escola é mais que ensinar matemática e português, é cuidar de desenvolvimento humano. A presença na escola é crucial para que este processo ocorra. Temos que ter muita responsabilidade (…) E, se percebermos problemas podemos voltar atrás, mas que tentemos, porque somente mais adiante saberemos o que foi este retorno”, contribuiu.

Posicionamento da SMCC

A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), mais uma vez em um movimento pioneiro na cidade, reúne em um evento digital as principais lideranças nas áreas de Saúde e Educação para refletir e amadurecer medidas para o enfrentamento da pandemia com foco no retorno seguro às escolas.

Para a entidade, esta é uma questão complexa com argumentos sólidos sobre retornar ou não nossas crianças ao convívio escolar, mas entende que, em algum momento, as autoridades terão que encarar e tomar uma decisão, uma vez que não há um horizonte para uma vacina ou solução sobre a transmissibilidade do vírus a curto prazo.

A experiência dos últimos meses e os novos estudos mostram que a sociedade precisará conviver com este vírus por muito tempo, a exemplo de outros que até hoje somam doentes e mortos, como são os casos de H1N1, Zica e Dengue. Somos favoráveis a um retorno às escolas, porém, com a implantação de protocolos rígidos de higiene e segurança. Escolas sem infraestrutura para cumprirem as determinações não devem abrir.

Sabemos dos prejuízos de desenvolvimento com esta medida de fechamento das escolas e do histórico de defasagem destas crianças, especialmente nas escolas públicas, mas entendemos que a questão da Saúde Pública é também fundamental. Campinas está inserida em um cenário diferenciado, com um Departamento de Vigilância Sanitária atuante, unidades de saúde, hospitais, universidades, instituições, médicos e profissionais de saúde referências no combate a epidemias. O que nos leva a acreditar que existe um suporte extremamente capacitado para contribuir de forma conjunta com a área de educação, seja pública ou particular, no retorno gradual, crescente e seguro de volta às escolas. A SMCC se mantém de portas abertas para abrigar os pensamentos, reflexões, conhecimento e debates que se transformarão em medidas adotadas no município.

Sobre os Fóruns da SMCC:
Desde o início da pandemia, os Fóruns da SMCC vem sendo realizados com participação dos médicos gestores e representantes dos principais serviços de saúde da região, envolvendo hospitais, universidades, operadoras de saúde e governo.

Nesses Fóruns, são apresentadas e debatidas as melhores estratégias para o enfrentamento da pandemia em nossa Região.

Confira todas as edições dos Fóruns da SMCC:

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