Simpósio do Departamento de Medicina de Família e Comunidade debate Saúde Planetária

28 jun, 2021 | Notícias

O Departamento Científico de Medicina de Família e Comunidade realizou no último sábado, 19, o VI Simpósio Campineiro de Medicina de Família e Comunidade, com o tema “Saúde Planetária: o que tenho a ver com isso?”. O evento, virtual, ainda pode ser acessado no canal do Youtube da SMCC, no link https://www.youtube.com/watch?v=RDx1GUOaPkE.

O simpósio contou com o apoio da Liga Acadêmica de Medicina de Família e Comunidade (Faculdade São Leopoldo Mandic), Liga da Saúde da Família e Comunidade (Unicamp) e Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva e da Família (Puc Campinas), que, juntas, formam a Superliga de Medicina de Família e Comunidade da SMCC.

O evento foi aberto pelo coordenador do Departamento Científico de Medicina de Família e Comunidade, Dr. Giuliano Dimarzio, e contou com a presença do Dr. Enrique Falceto de Barros (WONCA, IEA-USP e Universidade Caxias do Sul); do secretário de Meio Ambiente de Campinas, Rogério Menezes de Mello; da presidente do Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) de Campinas, Maria Helena Novaes Rodriguez; do Dr. Paulo Saldiva (FMUSP) e da Dra. Zeliete Zambon, presidente da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade).

Dr. Barros iniciou as palestras com o tema “Cuidado à Saúde Planetária: novo atributo da APS (Atenção Primária à Saúde) – delírio ou necessidade?”. Ao explicar o que é saúde planetária, ele ressaltou que a expectativa de vida das pessoas vem melhorando, a pobreza e a mortalidade infantil vem caindo, mas que, para atingir essa qualidade de vida, estamos usando muitos recursos do planeta: emissão de carbono, derrubada de floresta, uso de água, etc. “O impacto planetário é tão grande que a gente diz que é uma nova época geológica, seria a época do ser humano”, diz. “É o movimento da sociedade humana, da civilização humana que mais impacta, mais deixa registros fósseis e geológicos”, afirma. Durante sua explanação, ele falou como esse novo contexto ambiental interfere na qualidade de vida e também nos riscos de morte.

O secretário de Meio Ambiente dividiu sua abordagem em três partes: a relação entre a pandemia e a degradação ambiental; a política nacional que, para ele, tem uma postura antiambiental inédita; e a situação ambiental de Campinas, os problemas e as ações, entre elas, saneamento básico e recuperação de áreas verdes. “Na raiz da pandemia, existe a degradação dos sistemas naturais. O que vem acontecendo crescentemente é o impacto sobre os biomas que abrigam todas as populações de fauna silvestre”, avalia. Segundo ele, isso está acontecendo cada vez mais no entorno de grandes cidades. Mello destacou que a pandemia não é uma surpresa, já que o intervalo entre as pandemias tem sido cada vez menor. Ele citou que nos últimos 28 anos, houve sete epidemias com vírus. “Isso tem a ver com o maior contato entre animais silvestres e populações humanas densamente povoadas em grandes centros urbanos”, afirma.

Maria Helena fez uma análise dos principais pontos mencionados por Mello em relação às ações já realizadas e as que precisam ser feitas em Campinas. Para ela, quando falamos em Medicina de Família e Comunidade, precisamos pensar em construir a educação ambiental. “A saúde planetária tem que ser essa mudança de paradigma de saúde e de visão do planeta. E nós podemos conseguir isso tratando mais da articulação entre os diversos extratos da população: aqueles que têm o conhecimento e aqueles que não têm, mas que podem conseguir”, sugere.

Dr. Saldiva fez uma análise da evolução da civilização e dos impactos do crescimento das cidades. “Doenças que estavam nos bichos pulam para você. Quando se coloca muita gente junta em um mesmo ambiente insalubre, gera adoecimento e contagiosidade. Pandemias só foram possíveis em cidades”, comenta. Ele disse, ainda, que esse cenário gera outros problemas. “No momento que você produz excesso de riqueza, alguém planta, outro armazena, outro vende e outro manda. Aí você começa a criar estruturas de desigualdade e também o medo do futuro”, diz.

Para ele, o conceito de saúde planetária pode ser extrapolado para o conceito de saúde urbana. “Mais de 70%, 80% das pessoas estão na cidade. O conceito de saúde planetária, de saúde urbana não é só fazer a saúde dos habitantes urbanos, é fazer com que a saúde dos habitantes urbanos seja promovida, mas mantendo o equilíbrio com os recursos naturais do sistema”, afirma. Ele apresentou uma série de dados sobre o impacto ambiental na saúde dos seres humanos.

A última apresentação, feita pela Dra.Zeliete, ressaltou a importância da saúde planetária, tema que será discutido no 16º Congresso Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, que acontecerá de 19 a 22 de agosto. Inicialmente previsto para ser presencial, o evento foi transformado para o formato on-line. Ela apresentou os seis eixos do congresso, com os principais temas em pauta.

Na avaliação do Dr. Dimarzio, o simpósio trouxe excelentes discussões acerca do tema principal, com abordagens muito relevantes. “Foi extremamente positivo”, sintetizou.

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