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Semana de Prevenção ao Suicídio da SMCC trata de burnout, famílias enlutadas e suicídio entre jovens


A Campanha de Prevenção ao Suicídio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) começou nesta segunda (16/09) com a apresentação do Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio da SMCC, que é coordenado pelo psiquiatra Dr. Eduardo Teixeira, também o Coordenador do Departamento de Psiquiatria da entidade.

O evento teve programação científica com o tema “Burnout e o risco de suicídio em profissionais de enfermagem” pela Dra. Karina Barbi, professora de psiquiatria da PUCC).

Dr. Eduardo comentou que a Campanha começou na Sociedade Brasileira de Psiquiatria e vem se disseminando em vários Estados e cidades.

“Eu vejo que é uma campanha que tem uma importância e que vai ao encontro de algo muito sério, que a sociedade vem enfrentando, que é o suicídio. No mundo, vários lugares já conseguiram reduzir por ter uma abordagem diferente, mas o Brasil, não”.

Para o psiquiatra, além do aumento de casos o suicídio entre jovens – que não era comum antigamente – já se faz realidade.

“Eu acho que as pessoas sentem a necessidade de realmente se envolver na campanha, pela questão da importância do tema e pela dificuldade que se tem de falar dele. Falar por exemplo, com um jovem que tá passando por uma fase difícil, os pais têm dificuldades, os educadores têm dificuldade, a imprensa tem dificuldade. Então, eu acho que a campanha tem isso de melhorar a informação e quebrar um pouco dos estigmas e dos pesos”, finalizou.

A Campanha de 2018 segundo o médico teve foco maior em educadores. Este ano a programação está diferente, com convidados como blogueiros, famílias enlutadas e foi criado até um grupo novo de autoajuda da própria SMCC.

“Ao chamar os blogueiros, a ideia foi atingir um grupo que está envolvido com o jovem, na questão da linguagem e não fica só envolvido com quem está na área médica. A gente vai ter aulas com professores envolvidos em psicanálise que trazem a abordagem mais técnica, mas o evento na PUC, por exemplo, é pra estudante. A ideia é fazer algo não tão técnico pra que esses alunos aproveitem. Acho que qualquer um pode passar por isso. E vamos além. Na programação a ideia é realmente atingir mais setores como com o tema burnout”, falou o médico.

O Burnout e a enfermagem

A professora de psiquiatria Dra. Karina, que apresentou a palestra, trabalha no hospital da PUC e, como plantonista, esse ano viu registrados dois casos de suicídios de enfermeiras.

“Esses fatos me chamaram muita atenção, sobre isso, sobre o estresse que o profissional da enfermagem passa no seu dia a dia, das dificuldades que enfrentam. Então, eu decidi fazer um projeto de pesquisa. Na verdade essa palestra é um pouco da teoria do meu projeto de pesquisa e avaliar o Burnout no suicídio dos profissionais de enfermagem”, comentou.

Segundo a médica os profissionais da saúde são os que mais apresentam a doença, tendo os médicos em primeiro lugar.

“Eles chegam a ter duas vezes mais burnout que qualquer outra profissão e hoje já se relacionam os casos com quadros psiquiátricos, principalmente da depressão e depressão grave com risco a suicídio”, disse ela.

A diferença entre o estresse e o burnout, de acordo com a profissional, se dá na interpretação sobre o que é o estresse; tendo ele como um dos componentes do burnout.

Já o diagnóstico do burnout é composto de três dimensões diferentes, que são distintas, mas tem correlação.

“Uma delas é exaustão emocional, daí entra o estresse, a outra é a falta de realização pessoal, que está relacionada ao desânimo ao achar que o seu trabalho não está bom. Seu trabalho passa a ser algo ruim e a despersonalização, que é a objetificação do outro, passa a ter uma relação de afastamento emocional com o outro. Você passa a diminuir sua afetividade e empatia com o outro. Pra o diagnóstico basta ter essas três dimensões afetadas”orientou Dra Karina.

Eventos

Nesta quinta-feira (19/09), a partir das 18h, acontece o 1º Encontro do Grupo de Apoio aos Enlutados por Suicídio de Campinas. Depois a programação traz debate no anfiteatro da entidade sobre as fantasias inconscientes e aspectos socioculturais com Dr Rossevelt Cassorla e Dr Paulo Dalgalarrondo, ambos da UNICAMP.

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