Página Inicial 9 Notícias 9 Grupo de Estudos de Ideologia de Gênero da SMCC tem reunião na Assembléia Legislativa

Grupo de Estudos de Ideologia de Gênero da SMCC tem reunião na Assembléia Legislativa


A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) foi representada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) em uma reunião do Grupo de Estudos sobre Ideologia de Gênero com membros representantes de várias categorias profissionais, entre eles médicos, psicólogos  e educadores, de diferentes estados que vieram a SP especialmente para o Fórum Sexo e Gênero – O desenvolvimento Psicossexual.

O médico pediatra Dr. José Martins falou sobre o desenvolvimento neuromotor e psíquico infantil. Reforçou a questão da importância das influências cerebrais quando se reforça situações de atitudes positivas.

“O cérebro humano nos primeiros 1000 dias sofre muitas modificações. Uma criança nasce com 100 bilhões de neurônios e chega na idade adulta só com 20, ou seja perdemos cerca de 80 bilhões.  Os neurônios que ficam,  acabam sendo reforçados por experiências vividas.
Em minha opinião, as crianças precisam ser deixadas em paz, elas não devem ser precocemente influenciadas com dúvidas sobre o gênero,  porque o corpo delas é que vai marcar essa posição”.

A medida que a criança cresce, ela vai se desenvolvendo e livremente percebendo sua identidade, diz o médico.

“Daí é outra história, quando ela fica adulta e vai tendo as influências hormonais que modulam as decisões dela.
Agora nós somos absolutamente contra influenciar ideologicamente.  Essa é uma posição que defendemos, de permitir que as crianças cresçam livremente, sem nenhuma atitude de forçar a situação, de a criança uma hora ser vista como menino, outra hora como menina; ser influenciada e tal”.

Dr Martins finaliza dizendo:

“Realmente nós não concordamos com essas atitudes indutivas. Respeitamos qualquer outra opção, não incentivamos nenhum tipo de discriminação,  mas não queremos que as crianças sejam precocemente influenciadas e até induzidas a mudar a concepção do seu corpo” isto pode ter consequências prejudiciais ao seu desenvolvimento.

Para Dra.  Giulietta Cucchiaro o tema da palestra foi “Judith  Butler e  a  Subversão  da  Identidade  de  Gênero  na  Infância”.  Enquanto  muitos  falam  sobre  a   importância  de  se  levar  a  discussão  sobre   gênero  para  todos  os  níveis  da  escola  (incluindo  a  pré – escola), nesta  palestra, ela alerta sobre  um  aspecto  pouco  mencionado  nessas  discussões,  mas  que  é  central  no  pensamento  da  filosofa  Judith  Butler –  a  subversão  da  identidade  de  gênero.  

“Butler  acredita  que  as  pessoas  não  desenvolvem  suas  identidades  de  gênero  e   orientação  sexual   de uma  forma  natural  de  acordo  com  seu  sexo  biológico,  mas  sim  por   influência  e  imposição da  cultura.  Então  ela  propõe  uma   subversão  do  desenvolvimento  da  identidade  de  gênero  convocando  uma   “política  feminista  que tome  a  construção  variável  da  identidade  como  um  pré –  requisito  metodológico  e  normativo,  senão  como  objetivo  político”. Butler  preconiza  que  “o  gênero  não  deve  ser  construído  como  uma  identidade  estável”,  “em  vez  disso,  o  gênero  é  uma  identidade  tenuamente  constituída.”  Ela  acredita  que  “a  perda  das  normas  de  gênero  teria  o  efeito  de  fazer  proliferar  as  configurações  de  gênero  e  desestabilizar  as  identidades  de  gênero””.

A médica completa o raciocínio questionando:

“Mas  estaria  ela  falando  de  crianças?  Ora,  o  desenvolvimento  da  identidade  de  gênero   se  dá  justamente   na  infância,  até  os  6  anos  de  idade.  Esse  processo  ocorre    de  forma  natural  e  descomplicada  para   a  grande  maioria  delas,   que  chega   a  essa  idade  tendo    adquirido  um  senso  sólido  de  identidade  de  gênero  após   passar  pelas etapas  de  identificação com  um  dos  sexos  (que  ocorre  aos  2 ou  3    anos   de  idade)  e  desenvolver   estabilidade   e  constância  em  relação  a  essa  identidade.  Deve   –  se  também  considerar  que  a  primeira  infância  é  uma  fase  extremamente  delicada  (80%  do  desenvolvimento  do  cérebro  se  dá  até  os  4  anos)  e  nessa  fase  do  seu  desenvolvimento  cognitivo  as  crianças  não  têm  condições  de  lidar  facilmente  com  contradições  do  pensamento.  Por  isso,   a  subversão    da  identidade  de  gênero  com  a  proposta  de  uma  construção  variável  da  mesma,  negando  à  criança  a  auto –  evidência  óbvia   que  ela  constata  observando   seu  próprio  corpo,  e  adicionalmente  propondo – lhe  a  vivência  de  uma  multiplicidade  de  identidades  de  gênero –    quando  isso  não   é  uma  demanda  natural  dela  –   provavelmente  seria  perturbador  causando  sofrimento psíquico.  As  crianças  devem  ser  protegidas  desse  tipo  de  interferência  para  poderem  crescer  livres  e  saudáveis”.

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