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Curso da SMCC orienta sobre afogamento, engasgo, perda de ar e parada cardíaca de bebês e crianças


O curso prático “Aprendendo a Salvar Vidas de Crianças”, foi realizado neste sábado (23/11), na Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC). O curso tratou dos riscos que crianças estão expostas, como evitá-los e o que fazer em caso de acidente doméstico. A orientação para acionar o Serviço de Emergência (SAMU – telefone 192) sempre é destacada, mas a aula promove os primeiros antedimentos até profissionais chegarem.

Dra. Bianca Sodré, médica e idealizadora do curso conta que a ideia do treinamento surgiu pela história de um bebê que morreu engasgado na creche, porque simplesmente ninguém sabia o que fazer. “Esse bebê era sobrinha de uma pessoa que trabalhava comigo. Foi uma fatalidade que podia ter sido evitada. É constatado que existem muitos acidentes infantis que acontecem de uma forma “banal” e que poderiam ser evitados. Nós, professores, acabamos focando no treinamento médico, mas quem está ao lado da criança é que precisa ser treinado, orientado sobre o que pode e não pode fazer. Por isso surgiu a vontade de criar esse curso para treinar quem efetivamente fica ao lado das crianças”, concluiu.

A médica acredita que uma pessoa que já passou por esse tipo de treinamento é capaz de aplicar ou ser instruída mais facilmente.

O Curso foi divido em aulas teóricas e práticas, contou com a participação de quatro professores convidados e alunos de medicina da UNICAMP. Os bonecos das aulas práticas foram uma parceria com o Instituto Terzius.

A parte teórica abordou conceitos básicos, imagens ajudaram a fazer o diagnóstico e um vídeo mostrou situações reais de afogamento, engasgo, Parada da respiração e parada cardíaca.

Segunda a Pediatra Dra. Andréa Fraga, uma das principais causas de parada da respiração (falta de oxigênio) é o engasgo. “É fundamental reconhecer quando isso está acontecendo. Isso faz a diferença entre a vida e a morte. As estáticas americanas dizem que a cada 100 chamadas para a emergência, 30 são para socorrer crianças de até 14 anos”, disse.

Dra. Naomi Takesaki , Médica emergencista pediatra do Hospital da Unicamp, apresentou a palestra “O que fazer antes do atendimento chegar?”.

Na palestra, além do vídeo com cenas reais de acidentes, ela ainda destacou que os ponto mais importantes para o socorro é avaliar o padrão respiratório e a cor da pele, pálida ou com extremidades arroxeadas. “Estas informações indicam falta de ar e isso indica que o socorro tem que ser imediato, não dá para esperar os médicos chegarem”.

Na parte prática, os participantes do curso foram divididos em três estações. Onde puderam manusear os bonecos e treinar as manobras. As estações tratavam de situações de engasgo, parada cardíaca e ressuscitação.

O Pediatra Dr. Fernando Belluomini deu as instruções para identificar uma obstrução total da oxigenação. “A pessoa não faz barulho, não fala, coloca a mão no pescoço, não consegue chorar e não consegue tossir, o que fazer?”

Experiências

Beatriz Lima, aluna 2º ano de medicina da Unicamp, diz que foi primeira vez que ela treinou alguém para os primeiros socorros. Para ela o mais difícil foi ajustar vocabulário para que qualquer pessoa possa entender e confessa que, na primeira vez que teve contato com o assunto ela também se assustou com a manobra de desengasgo dos bebês. “Com o tempo os profissionais vão ficando mais familiarizados com as técnicas e com isso fica mais fácil atender e orientar a população. Ajudar a treinar alguém também ajuda a assimilar o conteúdo, relembrar o que vimos do assunto e explicar de uma forma fácil. Achei muito importante a oportunidade que a Sociedade de Medicina dá ao abrir o espaço para esse tipo de treinamento para população”, elogiou a estudante.

Cintia, 32 anos, dona de casa, já foi recepcionista e auxiliar odontológica, mãe de duas crianças. “Me interessei pelo curso e fiquei pensando que em todos os locais que frequento pode acontecer algo, eu sou mãe, já vivi um caso de afogamento. Eu participo de um grupo de mães onde uma delas contou que uma criança se engasgou, então eu achei legal ter uma noção do que eu posso fazer para ajudar. O treinamento foi maravilhoso mas tomara Deus que eu não precise usar o que eu aprendi aqui hoje”.

Um grupo de professores e monitores da Escola de Educação Infantil Ciranda em Barão Geraldo conta como foi o treinamento. Uma delas era Débora dos Santos Rodrigues de Melo, que é monitora da escola. Ela já fez um treinamento pela Unicamp. Gostou da maneira como foram passadas informações e o treinamento nos bonecos. “O mais difícil é saber o que fazer quando a criança está sufocada, parece que é fácil, mas na hora de colocar a mão na massa é muito desesperador”.

Dra. Suzana Ferreira Zimmerman fecha o evento com a palestra “Prevenção de Acidentes Domésticos” onde apresentou um panorama das causas externas, dizendo que para uma boa prevenção para acidentes domésticos é valido pensar como as crianças, que são curiosas por natureza então, cores e cheiros diferentes chamam atenção. “Colocar os produtos de limpeza no alto, colocar telas de proteção nas janelas, evitar quedas fixando os moveis na parede e os mantendo longe das janelas são fundamentais. É preciso ficar sempre atento a ingestão de alimentos, redobrar os cuidados com as piscinas, baldes e banheiras, até a menor quantidade de água pode causar afogamento”.

Em dezembro acontece a campanha Dezembro Vermelho que aborda a prevenção de acidentes na infância e adolescência, mais informações podem ser acessadas através do site Criança Segura pelo link www.criancasegura.org.br


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