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Cirurgiã pediátrica da Sociedade de Medicina orienta sobre prevenção de más formações congênitas

Diagnóstico precoce é muito importante para tratamentos intrauterinos ou logo após o nascimento do bebê

Embora parte das más formações do bebê seja de origem genética, outros fatores, como o uso abusivo de drogas ou de álcool e uma alimentação não saudável, com falta de vitaminas, entre elas, o ácido fólico, são as grandes causas desses problemas. Para alertar as mães sobre a importância da programação de uma gravidez, da prevenção e dos exames durante o pré-natal, a SMCC (Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas) lançou um vídeo de orientação, com a coordenadora do Departamento Científico de Cirurgia Pediátrica da entidade, Dra. Márcia Cavalaro.

“Um casal que pensa em engravidar deveria procurar a médica gineco-obstetra antes dessa gravidez acontecer, para que seja informado sobre várias coisas na alimentação da mulher, no uso de vitaminas, na educação, para que não use drogas e nem use abusivamente o álcool, para que essa gestação seja saudável e produza um bebê saudável”, explica a cirurgiã pediátrica.

De acordo com ela, a patologia congênita – ou defeito congênito – é um problema que se instala ainda na formação do embrião. “Por volta da 8ª, 9ª semana de gestação, alguns erros podem acontecer e acabam levando este feto a ter algum problema, seja de coluna, de intestino, de via urinária. Em alguns casos, há como fazer prevenções”, comenta. Algumas dessas patologias congênitas podem ser tratadas durante a gravidez e, outras, apenas após o nascimento. Por isso, é tão importante fazer os ultrassons de rotina para verificar se está tudo certo com o bebê.

Segundo Márcia, um dos problemas mais comuns é mielomeningocele, que consiste no não fechamento da pele e dos músculos na coluna do bebê. “Como não fecha, os tecidos nervosos ficam expostos ao líquido amniótico, e isso leva a uma inflamação desse tecido nervoso. A criança pode nascer com sérios riscos de não conseguir caminhar e de ter problemas de bexiga, o que vai levar, por sua vez, a problemas nos rins e insuficiência renal”, explica. Quando este tipo de má formação é detectado ainda no útero, é possível fazer a correção antes de o bebê nascer, com uma cirurgia intrauterina, ou logo após o nascimento, preferencialmente nas primeiras 48 horas.

Outro problema muito comum, que pode ser diagnosticado nos ultrassons de rotina da gestação, é a dilatação nos rins. De acordo com a cirurgiã pediátrica, nesses casos, também é possível realizar um procedimento dentro do útero, evitando que o bebê tenha insuficiência renal séria, até com risco de morte. É um problema que, dependendo da causa, quando a obstrução já é lá para baixo da bexiga, pode ser resolvido com cirurgia fetal. Uma cirurgia que é feita no bebê, sem tirá-lo do útero da mãe”, diz a médica.

Hérnia diafragmática é uma outra má formação relativamente comum. “Consiste em uma pequena abertura no músculo diafragma, que é o músculo que separa a cavidade do tórax do abdome. Por causa desse pequeno defeito, as alças intestinais e o fígado podem subir para dentro do tórax e impedir que o pulmão se desenvolva adequadamente. Então essa criança, normalmente, se não tratada, nasce com sério comprometimento pulmonar. Ainda no período intraútero, o que pode ser feito é a colocação de uma pequena “rolha” na traqueia da criança. Isso faz com que o pulmão expanda e que ela nasça com os pulmões mais adequadamente maduros”, explica a Dra. Márcia.

“Um outro defeito que pode acontecer é quando o menino, ainda dentro do útero da mãe, nasce com uma obstrução da uretra, que é o canal do xixi. Sem conseguir fazer xixi, a bexiga vai ficando repleta. Isso leva à dilatação dos rins, que, aos poucos, vão deixando de funcionar. Existem formas de se colocar um pequeno cateter na bexiga do feto, comunicando para o líquido amniótico. Isso faz com que esse neném melhore muito do ponto de vista de insuficiência renal ao nascer”, diz a médica.

Entre as más formações que não têm tratamento antes de nascer, estão alterações no esôfago, que é o tubo que comunica a boca ao estômago; no duodeno, o que impede que a criança consiga progredir os alimentos; falha na formação da parede abdominal, também conhecida como gastrosquise, que faz com que a criança nasça com as alças expostas; onfaocele, que é um outro defeito na parede abdominal que faz com que órgãos, como o intestino, o fígado e baço, fiquem fora da cavidade abdominal, recobertos apenas por uma membrana fina.

“Isso cria na gestante uma preocupação. Ela deve ser encaminhada ao cirurgião pediátrico para falar sobre suas dúvidas, para ouvir o que o especialista tem a falar sobre o que pode ser feito depois que essa criança nascer. O cirurgião pode conversar, mostrar fotos para a mãe, explicar quais são as propostas cirúrgicas ou não depois do nascimento”, orienta a Dra Márcia.

Em todos os casos, o diagnóstico precoce é fundamental. “A gente não faz ultrassom só para saber o sexo do bebê, a gente faz ultrassom por uma questão de saúde, porque há várias coisas que podem estar acontecendo com aquele pequenininho que está começando a ser gerado”, destaca.

 

 

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