Carinho, afeto e atenção são fundamentais para o bom desenvolvimento do bebê, garante pediatra da SMCC

As relações familiares são tão importantes quanto uma boa alimentação, vacinação e cuidados de higiene

Foi-se o tempo em que deixar o bebê no berço chorando para ele não se acostumar com o colo era a medida mais “correta”. Hoje, diversos estudos apontam a importância do carinho, afeto, amor e atenção. Esses cuidados são tão importantes, que estimulam o desenvolvimento do bebê, assim como uma alimentação saudável, vacinação em dia e cuidados de higiene. O alerta é feito pelo pediatra da SMCC (Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas), Dr. José Martins Filho. Ele também gravou um vídeo Dicas de Saúde SMCC, que pode ser conferido neste LINK  https://youtu.be/Nv6h5ziBSwc.

“As pessoas sempre me perguntam por que eu me interesso tanto por esse tema das relações familiares, do afeto, do carinho e da atenção”, diz. “É porque realmente não adianta pensar que a saúde de uma criança está associada só a uma boa alimentação e a uma boa vacinação. Se não houver carinho, atenção, colo, brincadeiras, amizades, passeios ao ar livre, lazer, prática de esporte apropriado para a idade, a felicidade não é total”, explica, destacando que, paralelamente, é fundamental evitar qualquer tipo de violência. “Quando eu falo em violência, não é só a agressão física, que é terrível e a pior de todas, mas é também o desprezo, o não dar atenção, não respeitar as necessidades, não dar colo”, exemplifica.

Diferentemente dos tempos de nossos pais e avós, em que se falava que o bebê deveria ficar chorando no berço para não se acostumar com o colo, a ordem hoje é dar o máximo de atenção possível. O pediatra explica que, nessa fase da vida, os bebês se comunicam chorando.  “Eles precisam chamar a atenção quando têm necessidade. Chora porque fez xixi e a fralda está molhada, porque está com sede, porque está com fome, porque está no escuro, porque tem muita luz, porque está fazendo calor, porque está fazendo frio ou, às vezes, só porque quer ficar perto da mãe ou de quem cuida dele. Sentir o calor do corpo humano, ser afagado, ser beijado”, comenta o médico.

De acordo com o Dr. Martins, o bebê nasce com 100 milhões neurônios, que vão morrendo ao longo dos anos em um fenômeno chamado poda neural. Por não serem utilizados, esses neurônios acabam destruídos, restando apenas cerca de 20% do total na idade adulta. “Esses que sobram são aqueles que são estimulados, são aqueles que recebem atenção, carinho”, diz o médico.

O pediatra explica que quando você coloca música para um bebê ouvir, quando conversa com ele, está estimulando uma determinada área do cérebro. “Se você coloca essa criança em um lugar aconchegante, confortável, se você brinca com ela, se você rola no chão, se você começa a empurrá-la para andar, se você bota ela sentadinha, você está estimulando o cérebro para desenvolver, ou seja, o carinho, o afeto e a atenção são fundamentais, são uma verdadeira fisioterapia, uma fisioneuroterapia de estímulo cerebral para o desenvolvimento”, garante.

Ele ressalta que a ausência desses cuidados pode impactar a vida da criança para sempre. “Criança que não tem colo, que não tem espaço, que não tem apoio tende a ter dificuldade de desenvolvimento cerebral, neurológico, neuromotor, psicológico e de inteligência”, afirma.

E quando os pais precisam trabalhar?

Mesmo tendo a consciência da necessidade dessa atenção, muitos pais precisam trabalhar e contar com o apoio de cuidadores. O que fazer neste caso? O pediatra orienta que, se possível, a mãe tire uma licença de seis meses e aproveite este tempo com o bebê. Ao procurar uma creche ou uma babá, certifique-se de que são acolhedoras e humanizadas. “A boa babá e a boa creche não são aquelas que só trocam fralda e dão a mamadeira, mas aquelas que pegam no colo, que dão carinho, atenção, que tentam substituir a mãe quando ela está trabalhando”, comenta.

Ele reforça que, quando os pais trabalham fora, precisam aproveitar o tempo de folga com o bebê. “Tudo bem, você precisa trabalhar, ótimo. Mas quando você está de folga, tente você dar a alimentação. Fim de semana? Brinque com essa criança, passeie, leve ela a lugares lúdicos, passeie em lugares abertos, praças, jardins… leve para jogar futebol com o pai, jogar voleibol, nadar, leve a lugares adequados, agradáveis e com a companhia dos familiares”, orienta.

“A melhor nutrição do mundo é o carinho. E a melhor maneira de você ajudar uma criança a se desenvolver, além de alimentar bem, vaciná-la adequadamente, lhe dar higiene, limpeza, é, fundamentalmente, amor, afeto e carinho. Afeto e amor nutrem. Fazem com que a criança se desenvolva muito melhor”, destaca.

 

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