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Câncer nos ovários – coordenador do DC, Dr. André Deeke Sasse, fala sobre o assunto em entrevista

Dr. André Deeke Sasse

Diagnóstico, sintomas e tratamentos estão entre os assuntos abordados

O Dr. André Deeke Sasse, coordenador do Departamento Científico de Cancerologia, concedeu uma entrevista sobre um assunto muito importante: câncer nos ovários. Dr Sasse é, ainda, oncologista clínico do Grupo Sonhe, de Campinas, e diretor técnico do Instituto do Radium, também de Campinas. Confira a entrevista!

O que significa câncer nos ovários?  É uma alteração nas células?

Os ovários são os órgãos reprodutivos femininos. Localizam-se na pelve da mulher, junto do útero e das tubas uterinas. São nos ovários que estão armazenados os óvulos, que são libertados a cada ciclo menstrual. O câncer de ovário ocorre quando um acúmulo de mutações genéticas gera um crescimento e multiplicação descontrolada das células.

Como se desenvolve o câncer nos ovários? Existe alguma causa?

A maioria dos cânceres de ovário é de origem epitelial, ou seja, origina-se do tecido que reveste o ovário em si. Aproximadamente 10% dos tumores de ovário têm caráter hereditário. E as mutações nos genes supressores tumorais BRCA1 e BRCA2 são as causas genéticas mais conhecidas atualmente. Além dessas mutações específicas, os fatores de risco mais conhecidos hoje são antecedente familiar ou pessoal de outras neoplasias, como mama ou endométrio. Infertilidade também tem sido descrita como associada a um maior risco de câncer de ovário.

A quais são os sintomas que as mulheres devem ficar atentas e procurar um ginecologista ou oncologista?

O diagnóstico do câncer de ovário raramente se dá nos estágios iniciais. Isto porque a doença geralmente é silenciosa e não causa sintomas quando no seu princípio. Sinais e sintomas como dor, aumento do volume abdominal, sensação de pressão na pelve, emagrecimento e, mais raramente, sangramento vaginal anormal podem indicar a presença de doença avançada. Estes sintomas podem ser causados pelo câncer de ovário ou inúmeras outras doenças. É importante o controle desses sinais com um ginecologista ou clínico geral.

Existem diferentes tipos de câncer nos ovários?

Além do subtipo epitelial, que se origina no tecido que reveste os ovários e representa 90% dos casos, ainda existem os subtipos mais raros, de células germinativas (originadas nos óvulos) e os de estroma (que se originam das células que produzem hormônios). Estes tumores raros geralmente acometem pacientes mais jovens.

As mulheres podem fazer algo para evitar essa doença? Algum cuidado?

Não há nenhum cuidado em especial para prevenção de câncer de ovário. No entanto, hábitos saudáveis, como alimentação rica em fibras e pobre em gorduras e proteínas de origem animal, bem como atividade física regular e manutenção de peso normal podem diminuir o risco de várias doenças, entre elas, o câncer de ovário.

Quais mulheres estão propensas a essa doença? É muito comum? Você atende muitas pacientes com essa patologia?

É um tipo de câncer razoavelmente comum. Atendo muitas pacientes com esta doença, sim. O câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero.  É recomendado exame ginecológico periódico, anual para mulheres com mais de 40 anos. Para mulheres com risco mais alto, pode ser recomendado ultrassom pélvico, de preferência transvaginal. Exames hematológicos em geral não são muito úteis, a não ser a dosagem do marcador tumoral (antígeno CA125), em mulheres com suspeita. É importante saber, no entanto, que mesmo doenças benignas podem causar elevação do CA125.

Pacientes com câncer nos ovários menstruam? Podem engravidar?

O câncer de ovário não necessariamente altera o ciclo menstrual. Dependendo da idade em que ocorre, as mulheres ainda podem menstruar e engravidar. No entanto, como o tratamento dos tumores epiteliais geralmente envolve cirurgias, com a retirada completa dos ovários, trompas e útero, todo o tratamento frequentemente causa infertilidade ao seu fim.

Qual o tratamento?

O tratamento depende de vários fatores, incluindo o tipo de tumor, a extensão da doença e o estado geral da paciente. A cirurgia é a principal modalidade terapêutica, mesmo em estágios mais avançados. Apenas quando há metástases em outros órgãos distantes a cirurgia pode ser discutível. A cirurgia radical, com retirada dos ovários, tubas uterinas, útero e estruturas periféricas, é a mais recomendada. Deve envolver a retirada do maior volume tumoral possível. A quimioterapia é o uso de medicamentos, geralmente endovenosos, para matar as células tumorais. Mesmo se o tumor foi completamente removido, algumas células tumorais podem ter permanecido em áreas próximas ou mesmo já terem caído na circulação sanguínea. A quimioterapia também pode ser usada para controlar o crescimento do tumor ou para aliviar os sintomas. Às vezes, a quimioterapia pode ser utilizada para diminuição do tamanho do tumor, para posterior remoção cirúrgica.

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