Tema já vinha sendo discutido pela Sociedade de Medicina, que promoveu fórum regional com faculdades em setembro
A divulgação das notas do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) traz à tona uma questão que vai muito além do desempenho acadêmico das faculdades de Medicina: o impacto direto da qualidade da formação médica na segurança do paciente e na assistência prestada à população.
Para a SMCC (Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas) -APM Campinas, os resultados do exame confirmam um alerta que a entidade vem fazendo há anos. Em setembro do ano passado, antecipando esse debate, a SMCC promoveu um fórum regional reunindo faculdades de Medicina para discutir estrutura dos cursos, capacitação de docentes e preceptores, residência médica e os desafios para garantir uma formação sólida, ética e técnica aos futuros médicos.
“O maior prejudicado quando há falhas na formação médica é o paciente. Não estamos falando apenas de indicadores educacionais, mas de vidas, de segurança assistencial e da qualidade do cuidado em saúde”, afirma o presidente da SMCC, Dr. José Roberto Franchi Amade. “Um médico mal preparado representa um risco real para a segurança do paciente e da população em geral.”
Segundo o presidente, o Enamed deve ser encarado como um instrumento de diagnóstico, capaz de evidenciar desigualdades importantes na formação médica, mas insuficiente se não houver ações concretas a partir dos resultados. “Os números ajudam a mostrar onde estão as fragilidades, mas o mais importante é o que a sociedade, as instituições de ensino e o poder público farão diante desse cenário. A qualidade da formação médica precisa ser uma prioridade permanente”, destaca.
Durante o fórum promovido pela SMCC, representantes de faculdades da região debateram caminhos para o fortalecimento do ensino médico, com foco na formação humanística, ética e técnica, além da necessidade de ampliar e qualificar as vagas de residência médica — etapa fundamental para a consolidação da prática profissional.
A entidade também defende a implantação de um exame de proficiência para médicos, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, como medida essencial para garantir um padrão mínimo de qualidade na formação. “Assim como ocorre em outras profissões, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), e em diversos países, o exame de proficiência é uma ferramenta de proteção à sociedade e de valorização do bom ensino médico”, reforça Dr. Amade.
Para a SMCC, o debate sobre formação médica não pode ser pontual nem restrito ao meio acadêmico. “Não se trata de apontar culpados, mas de assumir responsabilidades. O futuro da Medicina, a confiança no sistema de saúde e, principalmente, a segurança dos pacientes dependem das decisões que tomamos hoje”, conclui o presidente.
A íntegra do fórum promovido pela SMCC está disponível no canal oficial da entidade no YouTube NESTE LINK.










